Bioespeleologia


Invertebrados cavernícolas

Gabriela de Almeida Locher

Departamento de Zoologia, UNESP, Rio Claro, SP

A bioespeleologia é o estudo dos organismos subterrâneos, tanto daqueles que vivem restritos a este ambiente quanto dos que passam pelo menos uma parte do seu ciclo de vida em ambiente cavernícola (AULER; ZOGBI, 2005; TRAJANO; BICHUETTE, 2006).

A fauna cavernícola habita o meio subterrâneo de diferentes formas, sendo que a classificação ecológico-evolutiva destes indivíduos segue o Sistema de Schinner-Racovitza que os separa em trogloxenos, troglófilos e troglóbios (SESSEGOLO et al,. 2006). Os trogloxenos passam parte da vida em cavernas, mas necessitam voltar periodicamente ao meio externo para completar o ciclo de vida; os troglófilos possuem populações tanto fora quanto no interior de cavernas e podem ter seus ciclos de vida completos em um dos ambientes ou passar de um para o outro; e os troglóbios são as espécies restritas ao meio subterrâneo e que normalmente apresentam certas especializações (AULER; ZOGBI, 2005).

A biomassa total da maioria das cavernas é pequena, com populações diminutas e riqueza de espécie relativamente baixa, sendo a maioria desses organismos de pequeno porte (AULER; ZOGBI, 2005). Grande parte das espécies encontradas em cavernas é pertencente ao grupo dos invertebrados (SESSEGOLO et al,. 2006), animais que não apresentam espinha dorsal e representam segundo Ruppert e Barnes (1994) aproximadamente 95% das espécies de animais descritas no mundo.

A diversidade de invertebrados numa caverna depende dos ambientes que nela existem, já que ocorrem diferentes zonas com diferentes gradientes de luz e temperatura. Além disso, existem tanto ambientes terrestres com diferentes substratos como, algumas vezes, ambientes aquáticos, propiciando nichos ecológicos variados (TRAJANO; BICHUETTE, 2006). Dessa forma, as diferentes características encontradas nos ambientes subterrâneos propiciam uma diversidade variada entre regiões. No entanto existem diversos estudos que demonstram que alguns taxa se repetem em cavernas de diferentes regiões e têm maior probabilidade de serem encontrados em qualquer caverna do pais, como algumas aranhas dos gêneros Plato, Loxoceles (Fig. 1), Ctenus e Blechroscelis, opiliões (Pachylinae), pseudoescorpiões (Chernetidae) (Fig. 2), ácaros (e.g. Macrochelidae e Uropodidae), grilos dos gêneros Endecous e Eidmanacris (Fig. 3), heterópteros (Reduviidae), coleópteros (como algumas espécies das familias Carabidae, Leiodidae, Catopinae e Ptilodactylidae), dípteros (e.g. Chironomidae, Keroplatidae, Drosophilidae e Phoridae), tricópteros (e.g. Hydropsychidae) e diplópodes (Pseudonannolenidae e Chelodesmidae) (TRAJANO; GNASPINI-NETTO, 1990).

Outros invertebrados menos comuns, como colêmbolos, oligoquetos (tanto terrestres, como as minhocas, quanto algumas espécies aquáticas), traças, crustáceos como o decápoda tatuí-de-água-doce (Aegla), aracnídeos da Ordem Amblypygi (Fig. 4) e alguns moluscos como caramujos (e.g. Hydrobiidae) também merecem destaque, já que podem ser encontrados em ambientes subterrâneos dependendo da região (TRAJANO; GNASPINI-NETTO, 1990; AULER; ZOGBI, 2005).

Os invertebrados cavernícolas apresentam uma baixa diversidade comparada com a grande diversidade da fauna epígea (não subterrânea), mas os estudos realizados nas cavernas brasileiras vêm demonstrando, cada vez mais detalhadamente, a riqueza e a especificidade das espécies associadas às cavidades naturais subterrâneas. A manutenção e conservação desses taxa é de extrema importância e depende não só da manutenção do ambiente cavernícola, mas também de seu entorno e das áreas de drenagens situadas a montante (SESSEGOLO et al,. 2006).

Imagens:

Amblypygi, Caverna Maroaga, Presidente Figueiredo, AM (Foto: Carlos Gussoni)

Amblypygi, Caverna Maroaga, Presidente Figueiredo, AM (Foto: Carlos Gussoni)

Grilo cavernícola, Caverna Maroaga, Presidente Figueiredo, AM (Foto: Carlos Gussoni)

Pseudoescorpião, Gruta Boca de Sapo, Itirapina, SP (Foto: Carlos Gussoni)

Aranha do gênero Loxoceles, Gruta Boca de Sapo, Itirapina, SP (Foto: Carlos Gussoni).

Referências

AULER, A.; ZOGBI, L. Espeleologia: Noções básicas. 104 p., Redespeleo Brasil, São Paulo, 2005.

RUPPERT, E. E.; BARNES, R. D. Zoologia dos invertebrados. 6° Ed. 1056 p. Editora Roca, São Paulo, 1994.

SESSEGOLO, G. C.; DA ROCHA, L. F. S.; DE LIMA, F. F. Conhecendo cavernas: Região metropolitana de Curitiba. 106 p.Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná GEEP – Açungui, Curitiba, 2006.

TRAJANO, E.; BICHUETTE, M. E. Biologia Subterrânea: Introdução. 92 p., Redespeleo Brasil, São Paulo, 2006.

TRAJANO, E.; GNASPINI-NETTO, P. 1990. Composição da fauna cavernícola brasileira, com uma análise preliminar da distribuição dos táxons. Revista Brasileira de Zoologia, v. 7, n. 3, p. 383-407.

6 pensamentos sobre “Bioespeleologia

    • Encontrei uma aranha bem parecida com Amblypygi, Caverna Maroaga, encontrada Presidente Figueiredo, AM, só que não foi em caverna, foi na minha casa, e ver quem minha casa é clara e limpa. Queria enviar foto dela, para que analisassem.

  1. Olá! sou estudante de Biologia da UFBA; e gostaria que me mandar-se algumas
    dicas pois estou iniciando na área de Bioespeleologia.
    ATT
    Edna Albernaz

  2. Olá, Estou iniciando em bioespeleo também como a Edna, e gostaria de dicas também, pois não sei se foco o estudo de vertebrados ou de invertebrados.

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