Topografia e mapeamento


Importância em realizar o mapa:

Realizar o mapa topográfico de uma caverna é de extrema importância e deve ser um dos primeiros passos a se realizar ao explorar uma cavidade. É através dos mapas topográficos que a equipe se guia dentro da caverna. Lembrando que muitas cavernas são imensas e labirínticas, a possibilidade de se perder ao buscar a saída é grande, por isso o caminhamento em grandes cavernas sempre deve ser feito acompanhando o desenvolvimento do mapa. Além dessa função, o mapa topográfico é a base para diversos estudos. Levantamentos biológicos, arqueológicos, geoespeleológicos, etc podem ser localizados e plotados a partir do mapa topográfico. É um dado para sensoriamento remoto, georeferenciamento, poderedo assim localizar e posicionar a caverna dentro do terreno geográfico/geológico em que se encontra. Além de ser o dado básico para cadastramento e reconhecimento de uma caverna para que ela seja do conhecimento público e fique sujeita as leis de proteção ambiental vigentes.

Instrumentos utilizados:

Os instrumentos utilizados para mapeamento de caverna são bem simples e se constituem em: Trena, bússola, prumos e clinômetro.

A trena pode ser eletrônica (a laser) ou uma trena convencional. Dependendo da forma e extensão da caverna, adequa-se o tamanho da trena suficiente para realizar o mapeamento.

Com a bússola medimos os ângulos horizontais, representado pelo azimute (ângulo formado em relação ao norte). Podem ser utilizados vários modelos de bússolas. A mais comum dentro do Egric (Espeleogrupo Rio Claro) é a bússola Sunton, onde a leitura é feita direto no visor a partir da visada. Também pode-se utilizar a Bússola Brunton (Bússola de geológo), ou outros modelos de bússolas disponíveis no mercado.

O clinômetro é utilizado para medir os desníveis da caverna. Funciona igual a bússola porém é utilizado para medir os ângulos verticais. A medida é lida diretamente no visor. No caso da bússola Brunton, é possível medir os ângulos verticais mudando a posição da bússola.

Os prumos podem ser de vários tipos. O mais simples é o mesmo utilizado por pedreiros em obras, ou pescadores, que se constitui de pesos de chumbo presos a cordas com marcações em diversas alturas. Os dois prumos a serem utilizados no mapeamento devem ser idênticos, ou seja, as marcações de altura tem que ser iguais e estarem equidistântes.

Integrantes da equipe de mapeamento:

Dependendo da metodologia que se utilize, ou mesmo o numero de pessoas disponíveis, o numero de integrantes da equipe de mapeamento pode variar. De modo geral, o Egric costuma trabalhar com equipes de 4 pessoas.

O Instrumentista é aquele responsável pela leitura dos instrumentos (bússola e clinômetro). Esta pessoa fica com um prumo para regular a altura em que será realizada a medida e também fica segurando a ponta da trena.

O Ponta de Trena é aquele que fica com o corpo da trena e faz as medições de distância entre as bases e distância das bases as paredes. Também fica com um prumo para calibrar a altura da medida que tem que ser a mesma do instrumentista.

O Croquista é quem anota as medidas cantadas pelo Instrumentista e pelo Ponta de Trena, e a partir destes dados elabora o esqueleto da caverna (com papel milimetrado, régua e transferidor) e vai desenhando os contornos e detalhes da caverna (espeleotemas, blocos caídos, feições encontradas, desníveis, etc).

O Explorador caminha sempre a frente da equipe observando o desenvolvimento dos condutos e ajudando o ponta de trena a escolher o melhor lugar para instalar a base topográfica. Lembrando que as bases topográficas devem ser localizadas em locais onde as feições da caverna sejam bem representadas no mapa, além de ser um local que tenha visão para onde está localizado o Instrumentista (base anterior) e que de visão para a próxima base.

Metodologia de mapeamento:

O Ponta de Trena e o Instrumentista escolhem em que altura do prumo vão trabalhar, posicionando assim os instrumentos na mesma altura. Estando o instrumentista e o Ponta de Trena trabalhando na mesma altura, o ponta de trena canta a distância medida entre as bases. O Croquista anota e repete em voz alta a medida para evitar erros. Em seguida o Ponta de Trena posiciona na altura do prumo um ponto de luz, e outro ponto de luz no teto para que o Instrumentista mire o ponto de luz com seus equipamentos e realize suas medidas de ângulos (horizontal e vertical). O Croquista uma vez mais anota e repete os valores e a partir dos dados vai montando o desenho da caverna dentro de uma escala pre-determinada. Tirada todas as medidas e anotadas, o Instrumentista caminha até onde estava posicionado o Ponta de Trena e o Ponta de Trena caminha até a próxima base e o processo se repete.

Voltando do campo, realiza-se um trabalho de escritório que consiste na digitalização dos dados coletados em campo. Uma série de correções e adaptações devem ser feitas nas medidas obtidas para depois realizar a digitalização do mapa.

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